Estudo científico dos óleos essenciais

Aromatologia* (parte 2)

Uma ciência de muitos cheiros

* estudo científico dos óleos essenciais

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Depois da idade média, com o advento da farmácia e bioquímica, o estudo dos óleos essenciais atingiu um novo patamar. Eles passaram a ser vistos, não só como matérias primas para fabricar perfumes, mas também como recursos terapêuticos com grande potencial para a cura de doenças.

Em 1910 um homem trabalha em seu laboratório na França fazendo uma destilação num balão de vidro que explode queimando-o severamente. Este homem era o químico René-Maurice Gattefossé. Mesmo se cuidando, Gattefossé contrai uma infecção grave nos braços, ocasionada pela bactéria Clostridium perfringens, que se não tratada a tempo pode ocasionar infecção generalizada levando à morte. Ele vai então a um hospital sendo aconselhado pelo médico a enfaixar os braços queimados e a aplicar sulfas (antibióticos). O quadro se agrava e o médico diz que se dentro de poucos dias não houver melhoras, será necessária a amputação de seus braços.

Gattefossé vai para casa e resolve tomar uma iniciativa por conta própria, já que os meios ortodoxos de tratamento não deram resultado. Ele tira as bandagens dos braços e começa a aplicar óleo de lavanda pura, baseando-se em experiências e estudos anteriores sobre o poder curativo dos óleos essenciais. De forma espantosa no decorrer de uma semana a infecção regride e seus braços se cicatrizam completamente sem deixar marcas: é um milagre!

Isso muda drasticamente a vida de Gattefossé, levando-o a investir tempo e atenção ao estudo conjunto com médicos sobre o poder curativo dos óleos essenciais. Em 1937, este seu trabalho culmina na publicação do 1º livro de aromaterapia do mundo que causou uma “revolução aromática” em todo o planeta.

Após a 2º Guerra mundial um grande número de cientistas na França, entre eles médicos e farmacêuticos, iniciam um trabalho de pesquisa profunda que prova definitivamente o poder que os óleos essenciais tinham na saúde e abre portas para seu uso em hospitais como o “fitoterápico de mais alta eficiência e concentração”.

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Surge neste intercurso assim uma nova ciência, chamada de Aromatologia, ou o “estudo científico dos óleos essenciais”.  Esta ciência passa a se abrir para as múltiplas possibilidades de uso que os óleos essenciais possam encontrar. Como numa árvore, a aromaterapia é apenas um de seus braços focado ao estudo e aplicação terapêutica dos óleos, havendo também a possibilidade de seu uso na área da gastronomia, estética, psicologia e até no marketing.

Os empregos de óleos essenciais como recurso terapêutico são os mais diversificados. Eles funcionam bem como antibióticos naturais, cicatrizantes de feridas e queimaduras, analgésicos no alívio de dores, como antiinflamatórios poderosos, sedativos do sistema nervoso em casos de insônia ou hiperatividade, depressão e ansiedade. A vantagem de seu uso neste aspecto vem exatamente do fato de possuirem menores efeitos colaterais do que os medicamentos alopáticos e, conforme o óleo, baixo custo. Por exemplo, uma pesquisa realizada na Inglaterra com 8.058 mulheres grávidas mostrou que a utilização de óleos essenciais como a lavanda, camomila romana e sálvia esclaréia através da inalação e massagem, foram capazes de reduzir o uso de opióides anestésicos de 6% em 1990 para 0,4% em 1997 nas mulheres durante o parto. A economia resultante desta prática é enorme para o sistema de saúde público, além da redução dos riscos com a aplicação de anestesia peridural.

Além disso, parte da capacidade regeneradora e rejuvenescedora que os óleos essenciais possuem e que os faz serem utilizados em cosméticos, está associada a esta capacidade de eliminar radicais livres, que são moléculas que podem acelerar o envelhecimento, quando presentes na pele e no interior do corpo. Exemplos de óleos ricos neste efeito são o gerânio, rosa, lavanda, pau rosa, limão, laranja, entre dezenas de outros.

A grande dificuldade do emprego de óleos essenciais na saúde é a falta de interesse da indústria farmacêutica em investir capital na sua pesquisa, já que por serem um recurso natural, não podem ser patenteados.

Existem atualmente pesquisas mostrando grande eficácia do uso de óleos essenciais no tratamento de piolho, sarna, candidíase, doenças de pele, desordens respiratórias, síndrome do intestino irritado, etc. Em países desenvolvidos na Europa, como a França, Bélgica e Alemanha, os óleos essenciais já são utilizados amplamente, não só por terapêutas, mas por médicos, enfermeiras e psicólogos. No Brasil isto ainda está começando a acontecer.

No campo da cosmética, pesquisas realizadas pela empresa francesa Soliance, mostrou que o óleo de mirra (Commiphra mukul) possui a capacidade de aumentar a concentração de triglicérides na pele nas áreas onde existem fissuras. Ao prencher estas fissuras, as rugas e pés de galinha tendem a desaparecer do rosto. Este efeito costuma ser visto em menos de um mês de uso do óleo puro ou diluído.

Igualmente, estudos realizados recentemente na faculdade Univali no Brasil confirmaram o emprego do óleo de cipreste no tratamento do acne. O cipreste (Cupressus sempervirens) age reduzindo a produção de oleosidade das glândulas sebáceas, desinflamando e desinfectando a pele.

Os óleos essenciais também afetam de forma especial a área emocional do cérebro, podendo ser ferramentas úteis dentro da psicologia e psiquiatria no auxilio, conjuntamente com os tratamentos tradicionais, na recuperação de pacientes com distúrbios psíquicos.

Um exemplo da ação psicoaromaterapeutica pode ser visto com o óleo de camomila romana (Anthemis nobilis). Seu aroma calmante, neutraliza a agressividade e a raiva, eliminando mágoas no coração. Dissolve estados críticos e preconceituosos nas pessoas trabalhando o perdão. Conecta com a energia angelical dentro de cada ser humano despertando a alegria por viver, combatendo depressões mórbidas e a falta de esperança por algo melhor. Além disso, é útil em insônia e ansiedade.

Com toda esta gama de possibilidades, a aromatologia é uma ciência que a cada dia cresce mais chamando a atenção de estudiosos de diferentes áreas. Aprender esta ciência de forma séria e profunda é algo importante para aqueles que desejam utilizar estes poderosos recursos, os óleos essenciais.

Texto editado, retirado do original:

Por Fabian Laszlo

Aromatólogo e empresário

Diretor da Laszlo Aromaterapia e do Instituto Brasileiro de Aromatologia

www.laszlo.com.br

www.ibraromatologia.com.br

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